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Miles Davis, a história do Jazz Agosto 1, 2009

Posted by Fernando Rozano in Música.
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Fazer cinquenta anos hoje já não é mais uma façanha. Antes, era uma eternidade. Quem chegava ao meio século de vida em tempos passados era ancião, era reverenciado, era sinônimo de sabedoria, era requisitado. Era a história viva de um tempo, de um povo, de uma cultura. Os tempos mudaram, é verdade, mas tantas outras verdades permaneceram intactas. A genialidade de Miles Davis se inscreve nesse campo cujo espaço ainda é ocupado por muitos poucos. Assim, seu virtuosismo atravessa as décadas. Atravessará os séculos.
Kind of blue é revereciado no mundo inteiro. Não poderia ser diferente. Não é um disco comum. Não foi gravado às escuras. Seu criador é conhecido pelo nome de Miles Davis. O suficiente. Mas o filho de Illinois, Estados Unidos, nunca ficou quieto. À frente do seu tempo, sempre foi um legítimo revolucionário da criação. Seu instrumento: o trompete. Não por acaso, além de reunir em torno de suas improvisações instrumentistas como Chick Corea, John McLaughlin, Herbie Hancock, John Coltrane, Jimmy Cobb, Wayne Shorter, George Coleman, esteve em todos os movimentos que mudaram o jazz a partir da segunda metade do século passado. Kind é o marco, a referência. O novo. A fusão. A mescla. Davis era – é – um gênio. Sua forma de tocar o trompete o tornou único: registro baixo, límpido, minimalista e ao mesmo tempo capaz de ser altamente complexo e técnico. Assim, criou um estilo. Teve seguidores. Os tem até os dia de hoje.
O disco original trazia apenas, como se apenas fosse algo como “muito pouco”, cinco canções: “So what”, “Freddie Freeloader”, Blue in Green”, “All Blues” e “Flamenco Sketches”. Pouco mais de 55 minutos. Quase uma hora que se multiplica por dias, meses, quem sabe. Difícil dizer qual a mais mais do repertório. Pois, Kind of blue completa cinquenta anos de idade. Cinquenta anos de uma revolução musical. Para não deixar passar em branco, a Columbia lançou uma edição comemorativa. Além do disco original, incluindo bônus de algumas faixas, traz também outro cd, com gravações de 1958, inclusive de canções do disco que seria de 59. Versões longas, piano nas mão de Wynton Kelly no lugar do mágico Bill Evans é o destaque em “So What”. E, claro, um dvd. Não poderia faltar. Imagens em preto&branco, raras, inéditas mostram Miles exuberante e fabuloso, inesquecível e sempre acompanhado de músicos do seu quilate. Bom, você quer ouvir jazz de primeira, não perca tempo, procure Miles Davis. Não será difícil encontrar. Mas, não esqueça, pergunte por Kind of blue.

Miles Davis e seu Kind of Blue. Foto: Jay Maisel

Miles Davis e seu Kind of Blue. Foto: Jay Maisel

Comentários»

1. Joice Worm - Agosto 1, 2009

Fazer cinquenta anos ainda é uma idade de sabedoria, para alguns. Poucos, mais bons.
Miles Davis, em Kind of Blue, agendada para ouvir.
Fernando Rozano, agendado para não perder de vista. Dispónível a comunicar e chamar atenção sobre os bons e melhores músicos do mundo. (Bajulação à parte. Não pense que não merece elogios…)
Um forte abraço, amigo!