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Chile, 11 de setembro de 1973 Setembro 10, 2008

Posted by Fernando Rozano in História.
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Estrelas opacas foram sustentadas por ombros forjados para a guerra. Espalharam-se pelo continente sul-americano, em especial nos países do Cone Sul. No Brasil, que passara pela Legalidade em 1961, a Constituição foi relegada três anos após. Pouco menos de uma década depois, o Chile, que introduzia na América do Sul o governo solialista de Salvador Allende, sofria terrível golpe. O quase fim do inverno chileno foi bombardeado por tropas militares que destituíram do governo o seu presidente legitimamente eleito. O Palácio de La Moneda conheceu a força e o efeito dos explosivos de Exército e da Força Aérea Chilenas de forma impiedosa. Não apenas a sede do governo foi destruída, símbolo maior da legitimidade de então, mas preciosas peças históricas ali preservadas. Entre elas, a ata da Independência do Chile datada de 1818. Com a morte do presidente Allende, eleito por forças de esquerda denominada Unidad Popular, o general Augusto Pinochet assumiu o posto de ditador de uma das mais severas e cruéis ditaduras vividas nas Américas. A experiência anterior, permitiu que forças sindicais, trabalhadores, artistas e população estivessem ao lado de um novo horizonte para o país. Nomes do meio artístico, como Victor Jara, Inti Illimani, Quilapayun, Patricio Manns, Angel e Isabel Parra, ambos filhos de Violeta Parra, entre outros, se engajaram na luta para elegerem Allende. Eleito, em 1970, sofreu as conseqüências de tentar realizar um governo aberto e democrático. Detentor do poder político, não conheceu nem de perto as possibilidades de desenvolver suas políticas avançadas por falta de apoio econômico. Conspirações se sucederam, com a participação efetiva de norte-americanos, e em questão de pouco tempo as estrelas deixaram de brilhar no céu para se tornarem opacas em uniformes que respiravam o autoritarismo. O período que antecedeu Allende e o que por ele foi construído, teve em sua gênese a criação artística como ponta principal. Qualquer que fosse a expressão, lá estavam Victor Jara, fazendo teatro e canções populares, Inti Illimani e Quilapayun, mesclando os sopros andinos e do folclore com temas sociais, o trovador Patricio Manns, a Peña dos irmãos Parra, a bailarina inglesa Joan Jara, esposa de Victor, todos buscando um Chile diferente. Ninguém, até os dias de hoje, expressou com tanta sensibilidade e contundência, as agruras, os sofrimentos e as esperanças do homem comum como Victor Jara. Símbolo da Unidad Popular, foi dos primeiros a ser preso e desaparecido. Mais tarde, confirmado o seu assassinato, possivelmente no Estádio Nacional, onde milhares de presos sofreram as torturas promovidas pelos homens das estrelas opacas. Após 1973, o Chile mergulhou em dor profunda e modificações estruturais sentidas nos dias de hoje. Ainda que o fim da era Pinochet tenha acontecido em 1988, as seqüelas são imortais. Por mais que desejem que esqueçam, jamais será esquecido o período de terror passado por países como Chile, Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, por exemplo. Victor não sentiu o exílio em sua alma, mas os que lá viveram sabem o seu significado. As canções de Isabel Parra e de seu irmão Angel são lamentos emocionantes assim como os tons entristecidos das quenas e dos charangos do Inti e do Quilapayun, que à epoca do golpe, excurcionavam pela Europa e no velho Continente ficaram. O Chile hoje está mudado. As novas gerações pouco sabem do passado. A economia é a que atravessa a América e faz aumentar os número de excluídos sociais, por mais que estatísticas digam o contrário. Basta visitar e caminhar por qualquer cidade de um dos países do Cone Sul. Mas, também, ainda existe quem acredita em um mundo melhor, mais justo, mais equilibrado, menos dependente das grandes potências. As edições do Fórum Social Mundial realizadas em Porto Alegre mostraram a vontade e a determinação de mudanças na ordem política, econômica e social, através do voto legítimo dos povos. Por mais que desejem que esqueçam o que passou, é impossível deixar para trás marcas profundas que escureceram nossas terras. Como aconteceu em 11 de setembro de 1973 em Santiago do Chile. E como aconteceu em 11 de setembro de 2001 em Nova York. Um basta à violência é urgente para a vida sobreviver e poder contar a verdadeira história para quem chegar mais tarde. Sem esquecimentos e sem revanchismos. (Abaixo, capa de disco de Victor Jara e de encarte de Coletânea do Inti Illimani. Quem quiser assistir um filme sobre o golpe chileno, Chove sobre Santiago é a sugestão. Com direção de Helvio Soto, tem a trilha composta por Astor Piazzolla. Quem estiver a fim de conhecer a obra de Victor vá em www.victorjara.cl ou www.victorjara.org, ou leia o livro Victor, un canto inconcluso de Joan Jara, o Inti tem a sua página: www.inti-illimani.cl Ou, simplesmente, digite seus nomes no Google.

Luis Poirot.

Reprodução. Foto: Luís Poirot.

Página/12

Reprodução: Página/12