jump to navigation

Mercedes Sosa, siempre Setembro 13, 2008

Posted by Fernando Rozano in Música.
Tags: , , ,
4 comments
Reprodução. No encarte, não há registro de autoria da foto.

A Argentina é um país rico em arte e cultura. contar a sua história a partir de Atahualpa Yupanqui, Carlos Gardel, Jorge Cafrune, León Gieco, Ariel Ramirez, Felix Luna, Horacio Guarany, Ramón Ayala, Anibal Sampayo, José Larralde e Mercedes Sosa é privilégio para poucos de língua espanhola. Nascida em Tucumán, província localizada a noroeste do território platino e além da capital, tem em cidades como Santiago del Estero e Catamarca seus principais centros urbanos, com fortes acentos culturais andinos e indígenas. Naquelas terra, Mercedes deu seus primeiros passos como cantora. De lá, foi direto ao seu disco de estréia, Canciones con Fundamento  (1965) onde sua voz de contralto associada ao bombo legüero se tornaram essenciais à America Latina. De forte expressão índia e longos cabelos negros, logo começou a ser chamada de La negra, que a acompanha até os dias de hoje. Ousada, não se permitiu ficar à margem da realidade argentina e do continente. Ao lados de seus discos, que privilegiavam o folclore e compositores mais modernos, assumiu a defesa intransigente pelos Direitos Humanos e por justiça social. Exilada (1979), percorreu o mundo. Sua arte transcende os limites geográficos. Muito antes de ser conhecida e reconhecida, foi capaz de olhar para os movimentos musicais que estavam gerando o novo nas Américas. E somente ela seria capaz de avançar, com seu timbre e personalidade, e trazer para o seu repertório expressivos roqueiros do Prata e muito da música popular brasileira, em especial Chico Buarque e Milton Nascimento. Quem ouviu, jmais esquecerá ”Volver a los 17″ de Violeta Parra, no magnífico Geraes (1976) em dueto com Milton e quem ouvir, jamais esquecerá. Ou ainda, em especial para quem for a Buenos Aires e encontrar, Corazón Americano (1985) com Milton, León Gieco e com a participação de Gustavo Santaolalla. Gustavo foi produtor de León durante aos, e hoje, além de Oscar de melhor música, é lider do grupo Bajofondo, dos principais do momento no mundo. também, e somente ela, poderia gravar um disco com canções de Charly Garcia – Alta Fidelidad (1997), cuja capa ilustra o texto. E dar vida à Misa Criolla de Ariel Ramirez e Navidad Nuestra parceria de Ariel com Felix Luna em 2000. Incansável em seus 73 anos, chega a Porto Alegre para se apresentar hoje no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Apresentação única, com repertório novo, de seu último registro, Corazón Libre (2005) e com as consagradas canções que a tornaram ícone em qualquer terra onde pisa. Uma noite inesquecível para os porto-alegrenses. Uma noite para ficar na memória para todo o sempre. Mercedes Sosa, siempre. Basta ouvi-la. Quem quiser saber mais, visite www.mercedessosa.com.ar 

Chile, 11 de setembro de 1973 Setembro 10, 2008

Posted by Fernando Rozano in História.
Tags: , , , ,
1 comment so far

Estrelas opacas foram sustentadas por ombros forjados para a guerra. Espalharam-se pelo continente sul-americano, em especial nos países do Cone Sul. No Brasil, que passara pela Legalidade em 1961, a Constituição foi relegada três anos após. Pouco menos de uma década depois, o Chile, que introduzia na América do Sul o governo solialista de Salvador Allende, sofria terrível golpe. O quase fim do inverno chileno foi bombardeado por tropas militares que destituíram do governo o seu presidente legitimamente eleito. O Palácio de La Moneda conheceu a força e o efeito dos explosivos de Exército e da Força Aérea Chilenas de forma impiedosa. Não apenas a sede do governo foi destruída, símbolo maior da legitimidade de então, mas preciosas peças históricas ali preservadas. Entre elas, a ata da Independência do Chile datada de 1818. Com a morte do presidente Allende, eleito por forças de esquerda denominada Unidad Popular, o general Augusto Pinochet assumiu o posto de ditador de uma das mais severas e cruéis ditaduras vividas nas Américas. A experiência anterior, permitiu que forças sindicais, trabalhadores, artistas e população estivessem ao lado de um novo horizonte para o país. Nomes do meio artístico, como Victor Jara, Inti Illimani, Quilapayun, Patricio Manns, Angel e Isabel Parra, ambos filhos de Violeta Parra, entre outros, se engajaram na luta para elegerem Allende. Eleito, em 1970, sofreu as conseqüências de tentar realizar um governo aberto e democrático. Detentor do poder político, não conheceu nem de perto as possibilidades de desenvolver suas políticas avançadas por falta de apoio econômico. Conspirações se sucederam, com a participação efetiva de norte-americanos, e em questão de pouco tempo as estrelas deixaram de brilhar no céu para se tornarem opacas em uniformes que respiravam o autoritarismo. O período que antecedeu Allende e o que por ele foi construído, teve em sua gênese a criação artística como ponta principal. Qualquer que fosse a expressão, lá estavam Victor Jara, fazendo teatro e canções populares, Inti Illimani e Quilapayun, mesclando os sopros andinos e do folclore com temas sociais, o trovador Patricio Manns, a Peña dos irmãos Parra, a bailarina inglesa Joan Jara, esposa de Victor, todos buscando um Chile diferente. Ninguém, até os dias de hoje, expressou com tanta sensibilidade e contundência, as agruras, os sofrimentos e as esperanças do homem comum como Victor Jara. Símbolo da Unidad Popular, foi dos primeiros a ser preso e desaparecido. Mais tarde, confirmado o seu assassinato, possivelmente no Estádio Nacional, onde milhares de presos sofreram as torturas promovidas pelos homens das estrelas opacas. Após 1973, o Chile mergulhou em dor profunda e modificações estruturais sentidas nos dias de hoje. Ainda que o fim da era Pinochet tenha acontecido em 1988, as seqüelas são imortais. Por mais que desejem que esqueçam, jamais será esquecido o período de terror passado por países como Chile, Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, por exemplo. Victor não sentiu o exílio em sua alma, mas os que lá viveram sabem o seu significado. As canções de Isabel Parra e de seu irmão Angel são lamentos emocionantes assim como os tons entristecidos das quenas e dos charangos do Inti e do Quilapayun, que à epoca do golpe, excurcionavam pela Europa e no velho Continente ficaram. O Chile hoje está mudado. As novas gerações pouco sabem do passado. A economia é a que atravessa a América e faz aumentar os número de excluídos sociais, por mais que estatísticas digam o contrário. Basta visitar e caminhar por qualquer cidade de um dos países do Cone Sul. Mas, também, ainda existe quem acredita em um mundo melhor, mais justo, mais equilibrado, menos dependente das grandes potências. As edições do Fórum Social Mundial realizadas em Porto Alegre mostraram a vontade e a determinação de mudanças na ordem política, econômica e social, através do voto legítimo dos povos. Por mais que desejem que esqueçam o que passou, é impossível deixar para trás marcas profundas que escureceram nossas terras. Como aconteceu em 11 de setembro de 1973 em Santiago do Chile. E como aconteceu em 11 de setembro de 2001 em Nova York. Um basta à violência é urgente para a vida sobreviver e poder contar a verdadeira história para quem chegar mais tarde. Sem esquecimentos e sem revanchismos. (Abaixo, capa de disco de Victor Jara e de encarte de Coletânea do Inti Illimani. Quem quiser assistir um filme sobre o golpe chileno, Chove sobre Santiago é a sugestão. Com direção de Helvio Soto, tem a trilha composta por Astor Piazzolla. Quem estiver a fim de conhecer a obra de Victor vá em www.victorjara.cl ou www.victorjara.org, ou leia o livro Victor, un canto inconcluso de Joan Jara, o Inti tem a sua página: www.inti-illimani.cl Ou, simplesmente, digite seus nomes no Google.

Luis Poirot.

Reprodução. Foto: Luís Poirot.

Página/12

Reprodução: Página/12

Pedaço da Europa no sul do Brasil Setembro 2, 2008

Posted by Fernando Rozano in Destino.
Tags: , , ,
1 comment so far
Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves/RS.

Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves/RS.

Típica região de colonização italiana, esta parte da serra do Rio Grande do Sul é a maior produtora de vinhos do País. Rica em suas culturas, as presenças de imigrantes oriundos do Velho Mundo deram novas cores ao estado mais meridional do Brasil. Ao desembarcarem vindos de suas distantes cidades, os italianos trouxeram na bagagem mudas de videiras. Exímios e talentosos produtores de vinho, souberam transformar as íngrimes escostas serranas em terras ricas e coloridas. Desde a segunda metade do século dezoito, Bento Gonçalves e arredores, como Nova Milano, Monte Belo, Garibaldi, Carlos Barbosa, por exemplo, aos poucos se transformou em verdadeiro pólo vinícola. Mais do que produzir vinhos de reconhecida qualidade, inclusive em nível mundial, percorrer os seus caminho é viajar no tempo. Construções ainda em perfeito estado de conservação, são museus abertos a quem por lá passa, graças à preservação do patrimônio arquitetônico e mesmo interiores com seus móveis originais em muitas das suas casas. O Vale não se resume apenas à produção de vinho, também há intensa movimentação de espumantes, em especial na pequena e simpática Garibaldi, sucos de uva, e uma gastronomia inigualável. Pouco mais de cem quilômetros ou uma hora de quarenta minutos separam Bento Gonçalves de Porto Alegre. Local que conta com boa rede hoteleira, também é bom lembrar que muitas vinícolas possuem posadas à espera de visitantes. Pôr em sua agenda uma passagem pelo Vale dos Vinhedos é estar em um pedaço europeu em solo gaúcho. Qualquer estação do ano é receptiva, porém é no outono em que as cores das mais diversas variedades de videiras ganham colorido especial e a terra aparece em belos recortes.