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1968, Beatles, Álbum Branco…Revolução. Ainda Agosto 19, 2008

Posted by Fernando Rozano in Música.
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Detalhe encarte cd The Beatles, 1968.

Reprodução: Detalhe encarte cd The Beatles, 1968.

1968 o ano que não terminou foi, ou melhor, ainda é título de livro. Da lavra do jornalista Zuenir Ventura. Magnífico registro daquele anos, e anos sessenta, nas cores verde-amarelas do Brasil. Não poderia ser diferente. Emblemático, visceral, 68 jamais deixará de existir. Em todos os sentidos, até mesmo para contrapô-lo à modernidade. E é exatamente naqueles anos que a vida começou a acontecer em todas as áreas da expressão artística, social, política, econômica, cultural. Muito vindo de pouco antes, germinando no ventre da inquietação, da rebeldia, da criatividade. A História narra até os dias de hoje o centro sísmico daqueles tempos. Na música, a lista impressiona. Porém, das grandes surpresas por certo foram os quatro de Liverpool. Há muito já haviam desestruturado convenções com seu rock oscilante entre o adolescente e o mais irreverente, regado à muita densidade e carisma, eles demonstraram que não eram uma banda de mídia. Àlbuns anteriores como Revolver (1966) e Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band (1967) já haviam se tornado marcos conceituais dentro do universo pop. Porém, com o The Beatles (1968), mais conhecido como o Álbum Branco, que as características individuais de John, Paul e George, principalmente, vieram à tona. Começaram por gravar um disco duplo tamanha era a quantidade de extraordinárias canções estavam prontas em seu repertório. Ainda que tenha sido uma pretensão, o tempo provou: é o disco mais vendido deles. Gerado durante e após a viagem à Índia com Maharishi Mahesh Yogi, a franciscana passagem pela terra do espiritualismo, foi tornando visível a essência de cada compositor. Por vezes, apenas o violão à mão, as canções nasceram assim, despossuídas de requintes instrumentais e por isso o grande valor dos seus arranjos posteriores, já em estúdio. Embora as assinaturas oficiais constem Lennon&McCartney, há a clara e manifesta presença individual em cada composição. O que é de Lennon é Lennon, e assim com Paul também. Na Ìndia emergiu, definitivamente, Harrison. Em fase criativa, é dele a música que mais impacto causou e quem sabe ainda cause a quem escuta o álbum: “While my guitar gently weeps” com uma participação especialíssima de Eric Clapton na guitarra solo. Mais tarde, George iria compor “Something”, “Here comes the sun”, por exemplo. Período fértil para o  mais jovem beatle, logo após a separação, gravou o antológico All Things Must Pass (1970). Mas, esta é outra história. A verdade é que o Álbum Branco tem a gênese dos que outros fariam, como o Pink Floyd, Led Zeppelin, e toda a espécie de experimentalismo que viria a seguir. Beatles, simplesmente e ponto final. E, claro, não poderia deixar de ser, 1968. 40 anos depois, atual e revolucionário. Ainda.

Fernando Rozano

Comentários»

1. Joice Worm - Agosto 24, 2008

Uau, Fernando. Grande reportagem. Tenho dúvidas se você não estaria melhor viajando por aí a procura de notícias maravilhosas como estas. Não é só o tema de que falo, mas a forma como vês e comentas a titulo de informação. Bem haja…
Tenho pena de não saber mais sobre os Beatles para completar ou debater o que escreveste, mas digamos que, com esta leitura, dou o meu primeiro passo. Muitos sorrisos para ti!