O universal Al Di Meola Maio 2, 2009
Posted by Fernando Rozano in Música.Tags: Coppola, jazz, Jean-Luc Ponty, world music
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Um passeio pelo genial Di Meola. Foto: Darryl Pitt/Retna
Talvez, ao ler o seu nome você possa pensar em um personagem de Francis Ford Coppola em O poderoso chefão. Não passa nem perto. Ele está entre os instrumentistas e compositores modernos, por certo, considerados de primeiro time. Titularíssimo. Dono de exuberante técnica e virtuosismo, sua sensibilidade nos arranjos e interpretações de seus temas ou os de outras assinaturas o tornam diferenciado neste universo da chamada world music. Filho de italianos nascido em Jersey City na América do Norte em 1954, a influência dos jazzistas foi determinante para a sua carreira. A começar por Chick Corea e Larry Coryell. E foi justamente no então grupo de Corea, o Return To Forever – atenção: a Columbia e Sony&BMG estão relançando discos do Return e um ao vivo de 2008 simplesmente maravilhoso -que, aos 19 anos, Meola dava seus primeiros passos na música e no jazz. Sua característica principal era, e continua sendo, a velocidade com que realiza solos de guitarra, seu instrumento preferencial, a ponto de fazer com que o público de rock o adorasse e fizesse subir as vendas de discos como “Where have I know you befora” e “Romantic Warrior”. O reconhecimento de seu talento como guitarrista o levou a gravar, em 1976, seu primeiro trabalho solo: “Land of The Midnight Sun”. Então, já alternando a guitarra com o violão, iniciou os anos noventa com a classificação de músico de world music. Uma das razões, certamente, foi a gravação do fabuloso “Di Meola Plays Piazzolla” de 1996, com leituras criativas e modernas ao já moderno tango fusion do mestre platino. No mesmo ano, com os consagrados Paco De Lucia e John McLaughlin gravou mais um disco como The Guitar Trio, cujo sucesso iniciara em 1981 com o clássico e extraordinário “Friday Night In San Francisco”, que em seu repertório composição de Egberto Gismonti(fiquem atentos: há pouco a Columbia relançou esta obra-prima, reiteramos). E tocou também com Jean-Luc Ponty e seu violino elétrico mágico, que esteve anos na Mahavishnu Orchestra – pois, estão sendo relançadas caixas com seus discos, e também de outro de seus maiúsculos integrantes, o baixista Stanley Clarke. Um momento de pura magia ouvir cada um desses cds.
No início de 2000, chegou “Al Di Meola Anthology”. Um belo apanhado, em cd duplo, de sua obra, mostrando toda a sua versatilidade como instrumentista, sempre acompanhado de grandes outros músicos do calibre de Jaco Pastorius, Lenny White, Steve Gadd e, inclusive, Phill Collins. Um disco essencial e maiúsculo. São 20 performances inesquecíveis. Sempre, em algum momento, os grandes instrumentistas se encontram, gravam juntos, deixam registros memoráveis e seguem seus caminhos. Cabe a cada um de nós a atenção ao que o mercado oferece. Indispensável em sua discoteca.
O bardo Van Morrison Abril 15, 2009
Posted by Fernando Rozano in Música.Tags: jazz, rock, The Doors
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O bardo não envelhece. O tempo não para ninguém, menos para George Ivan Morrison na certidão de nascimento desde 31 de agosto de1945. Belfast viu nascer o Them, enquanto o Brasil começava a conhecer os rigores do regime militar em 64. A mescla de rock com o celtic soul desde o início é a sua marca. É de lá que vem “Gloria”, canção assumida pelos The Doors, por outro Morrison, o Jim. O irlandês jamais se deixou levar pelo silêncio. A inquietude criativa o fez seguir caminho sozinho. E ao entrar nos acalorados e até hoje febris dias de 1968, sua obra-prima estava concebida. Os estúdios receberam os músicos em rápidas sessões. Cada um gravou seu instrumento separado. Como não se conhecessem. Entre setembro e outubro Astral Weeks ganhou sua forma definitiva. Mágica. Assombrosa e bela.Van, Jay Berliner, Richard Davis, Connie Kay, John Payne e Warren Smith, Jr. criaram o indefinível disco. Rock, Rhythm & Blues, Celta, Folk….até hoje se procura definir o que as oito canções de Astral são. Em duas magníficas partes, “In The Beginning” e “Afterwards” a sonoridade é harmônica. Envolvente. Separe, leitor, a voz do bardo, da textura musical. Sinta os instrumentos. Um de cada vez. Depois, todos juntos. Celebre mais tarde, colocando a voz de Morrison. O conjunto todo sacraliza o que há de melhor na música em todos os tempos. Passados exatos 40 anos, o Hollywood Bowl acolheu em novembro de 2008 Van Morrison e o seu Astral Weeks. Ao vivo, a magia e sua força atual não perderam nada. Antes, se sente o quanto está à frente. Com ele, do estúdio de 68, apenas a guitarra de Jay Berliner. Ouça com toda a atenção. Esqueça o que está lá fora. Entre em nota do disco, não se disperse. E ainda ouça mais duas canções como bônus. Astral Weeks e Van Morrison se confundem, são o mesmo. Mas, nos liberta.

Astral Weeks em 1968. No estúdio

40 anos depois, no Hollywood Bowl. Ao vivo
Internacional, simplesmente Abril 4, 2009
Posted by Fernando Rozano in Futebol.Tags: eucaliptos, Internacional, vermelho
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Em Monte Belo, interior do Rio Grande do Sul
Foi no inverno. Lembro a chuva em meu blusão cinza. O rosto escondido entre os braços. O guarda-chuva não acolhia nem a mim, tampouco a meu irmão mais velho. Os eucaliptos erguiam-se fortes à nossa frente. Meu pai agarrava minha pequena mão. As poucas pessoas na entrada procuravam proteção. O cheiro de pastel indicava o local de acesso às arquibancadas. Imensas, deixavam escorrer a água intermitente daquele julho, colando nos degraus as folhas verdes das árvores. Nunca estivera lá. Meu olhar parou nas poças acumuladas na grama e nos pontos em que o barro mudava de cor.
Sentamos. A almofada feita por minha mãe acomodou-se no cimento, e nós a pressionamos com o peso dos nossos sete, oito anos. Futebol não era novidade. conhecíamos, e muito, os outros clubes de Porto Alegre: Grêmio, São José e Cruzeiro. Todos os três estavam presentes em nossas tardes de domingo. Meu irmão vestia azul sem nenhuma dúvida. Eu apenas achava engraçado ele gritar toda a vez que via a bola chutada por algum jogador de camiseta tricolor chocar-se com as redes. Seus gritos estão em mim até hoje. Não significavam nada além da graça de vê-lo feliz.
Meu pai chamou-me. Fiquei atento. A chuva havia parado. Uma multidão ao nosso redor falava alto. Alguns nomes eram citados: Sérgio Lopes, Sapiranga. Não conseguia entender quem eram. Minha curiosidade fixou-se nos números citados por eles: cinco, sete e dez. Estava distante do campo de jogo, quase não enxergava. Às vezes, algum guarda-chuva abria, logo seguido do trovão. Então, todos levantaram.
Os tricolores entraram vaiados por um lado, aplaudidos pelo outro. Meu irmão ficou quieto. Era o time dele. Imagino o quanto deve ter lhe custado o silêncio. Estava no lado errado da torcida. Em seguida, um barulho infernal de fogos de artifício obrigou-me a fechar os olhos, a tapar os ouvidos e encolher meu corpo magro e pequeno. Quase sem coragem, consegui abri-los. Em meio à fumaça acinzentada, vibrava o vermelho. Não uma cor vermelha, várias. Não conseguia acompanhá-las. Meu coração acelerou. Não senti medo. Queria ver todas no gramado embarrado. Um gosto salgado molhou minha boca. Perguntei ao meu pai que time era. Ele simplesmente disse: Internacional.
Julho de 1961, mês e ano em que o Internacional entrou em minha vida. Para sempre.
********** Abro uma exceção no Senso Crítico. Hoje, 04 de abril de 2009, o Sport Club Internacional completa 100 anos de vida. Reproduzo a crônica publicada no livro Histórias Coloradas de 2004, editado pela Nova Prova Editora, como homenagem ao clube da minha alma.
Vozes do mundo Novembro 23, 2008
Posted by Fernando Rozano in Música.Tags: fórum musical, mundo, Vozes
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VOZES DO MUNDO
A compilação Voices of Forgotten Worlds é o desconfinamento destas vozes. As sonoridades são muito mais que registros digitais reproduzidos ao acaso ou ao sabor da curiosidade. Elas, as vozes e as harmonias, revelam o significado de suas existências, o sentido de suas resistências. E dão ao mundo um testemunho que alicerça a vida em forma original.
Em formato de livro, a coletânea traz dois cds curiosa ou provocativamente feitos por pesquisadores norte-americanos. São vozes uníssonas, contundentes, inspiradoras. Fazem quebrar o ritmo de qualquer modismo dos dias atuais. E para quem acredita que a globalização é um fenômeno recente ou de poucos séculos irá se surpreender com a história desses povos esquecidos. Nas composições estão os sulcos de culturas que o mundo insiste em não conhecer ou quando tem acesso a ela crava em suas identidades o rótulo de new world. Às vezes, acontece o pior: essas culturas são destruídas por uma miscigenação imprópria e desconstrutora dos valores cultivados através da passagem dos séculos, quem sabe de milênios. Na lista de faixas, nomes desconhecidos e também já de conhecimento público: Tuvans, Garifuna, Kanak, Inuit, Rashaida, Kayapo, Australian Aborígines, Quechuan, Tibetans, Batak, Solomon Islanders, entre outros.
A transcendência de suas harmonias identifica pontos comuns com civilizações distantes milhares de quilômetros umas das outras, acentuando muito mais suas semelhanças em seus cantos de indignação e permanente consciência pela preservação de suas vidas.
A edição, primorosa, não abre nenhuma espécie de concessão. Nela, a naturalidade das expressões não são contidas tampouco são regidas por maestros de estúdios. Sopram suas flautas com o sopro das suas almas, subvertendo a tentativa de subordinação que as grandes potências mundiais impõem.
Voices é um alento, um sólido fórum musical para quem não quer ficar apenas na retórica e olhar a História passar de braços cruzados.
Voices of Forgotten World
Traditional Music of Indigenous People
Ellipsis Arts – projeto: Gilbert Antony Boncy
Fotografia: Lizbeth Arum
Assistente de pesquisa: Derek Bandler
34 faixas – 116min 07seg
Ellipsis Arts…P.O. Box 305/Roslyn-New York-11576
Mercedes Sosa, siempre Setembro 13, 2008
Posted by Fernando Rozano in Música.Tags: Argentina, león Gieco, Mercedes Sosa, Milton Nascimento
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A Argentina é um país rico em arte e cultura. contar a sua história a partir de Atahualpa Yupanqui, Carlos Gardel, Jorge Cafrune, León Gieco, Ariel Ramirez, Felix Luna, Horacio Guarany, Ramón Ayala, Anibal Sampayo, José Larralde e Mercedes Sosa é privilégio para poucos de língua espanhola. Nascida em Tucumán, província localizada a noroeste do território platino e além da capital, tem em cidades como Santiago del Estero e Catamarca seus principais centros urbanos, com fortes acentos culturais andinos e indígenas. Naquelas terra, Mercedes deu seus primeiros passos como cantora. De lá, foi direto ao seu disco de estréia, Canciones con Fundamento (1965) onde sua voz de contralto associada ao bombo legüero se tornaram essenciais à America Latina. De forte expressão índia e longos cabelos negros, logo começou a ser chamada de La negra, que a acompanha até os dias de hoje. Ousada, não se permitiu ficar à margem da realidade argentina e do continente. Ao lados de seus discos, que privilegiavam o folclore e compositores mais modernos, assumiu a defesa intransigente pelos Direitos Humanos e por justiça social. Exilada (1979), percorreu o mundo. Sua arte transcende os limites geográficos. Muito antes de ser conhecida e reconhecida, foi capaz de olhar para os movimentos musicais que estavam gerando o novo nas Américas. E somente ela seria capaz de avançar, com seu timbre e personalidade, e trazer para o seu repertório expressivos roqueiros do Prata e muito da música popular brasileira, em especial Chico Buarque e Milton Nascimento. Quem ouviu, jmais esquecerá ”Volver a los 17″ de Violeta Parra, no magnífico Geraes (1976) em dueto com Milton e quem ouvir, jamais esquecerá. Ou ainda, em especial para quem for a Buenos Aires e encontrar, Corazón Americano (1985) com Milton, León Gieco e com a participação de Gustavo Santaolalla. Gustavo foi produtor de León durante aos, e hoje, além de Oscar de melhor música, é lider do grupo Bajofondo, dos principais do momento no mundo. também, e somente ela, poderia gravar um disco com canções de Charly Garcia – Alta Fidelidad (1997), cuja capa ilustra o texto. E dar vida à Misa Criolla de Ariel Ramirez e Navidad Nuestra parceria de Ariel com Felix Luna em 2000. Incansável em seus 73 anos, chega a Porto Alegre para se apresentar hoje no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Apresentação única, com repertório novo, de seu último registro, Corazón Libre (2005) e com as consagradas canções que a tornaram ícone em qualquer terra onde pisa. Uma noite inesquecível para os porto-alegrenses. Uma noite para ficar na memória para todo o sempre. Mercedes Sosa, siempre. Basta ouvi-la. Quem quiser saber mais, visite www.mercedessosa.com.ar
Chile, 11 de setembro de 1973 Setembro 10, 2008
Posted by Fernando Rozano in História.Tags: Allende, Chile, Inti Illimani, Pinochet, Victor Jara
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Estrelas opacas foram sustentadas por ombros forjados para a guerra. Espalharam-se pelo continente sul-americano, em especial nos países do Cone Sul. No Brasil, que passara pela Legalidade em 1961, a Constituição foi relegada três anos após. Pouco menos de uma década depois, o Chile, que introduzia na América do Sul o governo solialista de Salvador Allende, sofria terrível golpe. O quase fim do inverno chileno foi bombardeado por tropas militares que destituíram do governo o seu presidente legitimamente eleito. O Palácio de La Moneda conheceu a força e o efeito dos explosivos de Exército e da Força Aérea Chilenas de forma impiedosa. Não apenas a sede do governo foi destruída, símbolo maior da legitimidade de então, mas preciosas peças históricas ali preservadas. Entre elas, a ata da Independência do Chile datada de 1818. Com a morte do presidente Allende, eleito por forças de esquerda denominada Unidad Popular, o general Augusto Pinochet assumiu o posto de ditador de uma das mais severas e cruéis ditaduras vividas nas Américas. A experiência anterior, permitiu que forças sindicais, trabalhadores, artistas e população estivessem ao lado de um novo horizonte para o país. Nomes do meio artístico, como Victor Jara, Inti Illimani, Quilapayun, Patricio Manns, Angel e Isabel Parra, ambos filhos de Violeta Parra, entre outros, se engajaram na luta para elegerem Allende. Eleito, em 1970, sofreu as conseqüências de tentar realizar um governo aberto e democrático. Detentor do poder político, não conheceu nem de perto as possibilidades de desenvolver suas políticas avançadas por falta de apoio econômico. Conspirações se sucederam, com a participação efetiva de norte-americanos, e em questão de pouco tempo as estrelas deixaram de brilhar no céu para se tornarem opacas em uniformes que respiravam o autoritarismo. O período que antecedeu Allende e o que por ele foi construído, teve em sua gênese a criação artística como ponta principal. Qualquer que fosse a expressão, lá estavam Victor Jara, fazendo teatro e canções populares, Inti Illimani e Quilapayun, mesclando os sopros andinos e do folclore com temas sociais, o trovador Patricio Manns, a Peña dos irmãos Parra, a bailarina inglesa Joan Jara, esposa de Victor, todos buscando um Chile diferente. Ninguém, até os dias de hoje, expressou com tanta sensibilidade e contundência, as agruras, os sofrimentos e as esperanças do homem comum como Victor Jara. Símbolo da Unidad Popular, foi dos primeiros a ser preso e desaparecido. Mais tarde, confirmado o seu assassinato, possivelmente no Estádio Nacional, onde milhares de presos sofreram as torturas promovidas pelos homens das estrelas opacas. Após 1973, o Chile mergulhou em dor profunda e modificações estruturais sentidas nos dias de hoje. Ainda que o fim da era Pinochet tenha acontecido em 1988, as seqüelas são imortais. Por mais que desejem que esqueçam, jamais será esquecido o período de terror passado por países como Chile, Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, por exemplo. Victor não sentiu o exílio em sua alma, mas os que lá viveram sabem o seu significado. As canções de Isabel Parra e de seu irmão Angel são lamentos emocionantes assim como os tons entristecidos das quenas e dos charangos do Inti e do Quilapayun, que à epoca do golpe, excurcionavam pela Europa e no velho Continente ficaram. O Chile hoje está mudado. As novas gerações pouco sabem do passado. A economia é a que atravessa a América e faz aumentar os número de excluídos sociais, por mais que estatísticas digam o contrário. Basta visitar e caminhar por qualquer cidade de um dos países do Cone Sul. Mas, também, ainda existe quem acredita em um mundo melhor, mais justo, mais equilibrado, menos dependente das grandes potências. As edições do Fórum Social Mundial realizadas em Porto Alegre mostraram a vontade e a determinação de mudanças na ordem política, econômica e social, através do voto legítimo dos povos. Por mais que desejem que esqueçam o que passou, é impossível deixar para trás marcas profundas que escureceram nossas terras. Como aconteceu em 11 de setembro de 1973 em Santiago do Chile. E como aconteceu em 11 de setembro de 2001 em Nova York. Um basta à violência é urgente para a vida sobreviver e poder contar a verdadeira história para quem chegar mais tarde. Sem esquecimentos e sem revanchismos. (Abaixo, capa de disco de Victor Jara e de encarte de Coletânea do Inti Illimani. Quem quiser assistir um filme sobre o golpe chileno, Chove sobre Santiago é a sugestão. Com direção de Helvio Soto, tem a trilha composta por Astor Piazzolla. Quem estiver a fim de conhecer a obra de Victor vá em www.victorjara.cl ou www.victorjara.org, ou leia o livro Victor, un canto inconcluso de Joan Jara, o Inti tem a sua página: www.inti-illimani.cl Ou, simplesmente, digite seus nomes no Google.
Pedaço da Europa no sul do Brasil Setembro 2, 2008
Posted by Fernando Rozano in Destino.Tags: Bento Gonçalves, serra, Vale dos Vinhedos, vinho
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Típica região de colonização italiana, esta parte da serra do Rio Grande do Sul é a maior produtora de vinhos do País. Rica em suas culturas, as presenças de imigrantes oriundos do Velho Mundo deram novas cores ao estado mais meridional do Brasil. Ao desembarcarem vindos de suas distantes cidades, os italianos trouxeram na bagagem mudas de videiras. Exímios e talentosos produtores de vinho, souberam transformar as íngrimes escostas serranas em terras ricas e coloridas. Desde a segunda metade do século dezoito, Bento Gonçalves e arredores, como Nova Milano, Monte Belo, Garibaldi, Carlos Barbosa, por exemplo, aos poucos se transformou em verdadeiro pólo vinícola. Mais do que produzir vinhos de reconhecida qualidade, inclusive em nível mundial, percorrer os seus caminho é viajar no tempo. Construções ainda em perfeito estado de conservação, são museus abertos a quem por lá passa, graças à preservação do patrimônio arquitetônico e mesmo interiores com seus móveis originais em muitas das suas casas. O Vale não se resume apenas à produção de vinho, também há intensa movimentação de espumantes, em especial na pequena e simpática Garibaldi, sucos de uva, e uma gastronomia inigualável. Pouco mais de cem quilômetros ou uma hora de quarenta minutos separam Bento Gonçalves de Porto Alegre. Local que conta com boa rede hoteleira, também é bom lembrar que muitas vinícolas possuem posadas à espera de visitantes. Pôr em sua agenda uma passagem pelo Vale dos Vinhedos é estar em um pedaço europeu em solo gaúcho. Qualquer estação do ano é receptiva, porém é no outono em que as cores das mais diversas variedades de videiras ganham colorido especial e a terra aparece em belos recortes.
A música de Angola Agosto 30, 2008
Posted by Fernando Rozano in Música.Tags: Angola, ritmos, semba
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Gravação surpreendente, quase despercebida da grande mídia, Quintal do Semba é muito mais que um documento. É História. É a presença angolana revitalizada e mostrando ao mundo sua excelência musical. Nos estúdios da Rádio Nacional de Angola se reuniram os principais nomes da música daquele país e desfilaram verdadeiras peças preciosas do que mais tradicional existe em ritmo na África. Ao mesclarem o novo com o mais antigo, traduzem – sim, em tempo presente – a força de um continente. Semba ou massemba ou ainda umbigada em quimbundo, língua angolana, tem muito do que conhecemos no Brasil: batuque, dança de roda, lundu, chula, maxixe e até Partido Alto. Também significa dança do interior caracterizada por movimentos que implicam o encontro dos corpos masculino e feminino, quando então o homem segura a mulher pela cintura e puxa-a ao seu encontro, provocando o choque. Como gênero musical, é um complexo processo de fusão e transposição da guitarra com vários elementos de percussão, que é a base da cultura africana. Catalogado em vários sites de venda como “world music” o cd e o dvd são magníficos testemunhos. Estão os mais representativos e genuínos músicos de hoje como Carlitos Vieira Dias, Paulo Flores, Moreira Filho e Ângela Mingas. Não deixam, também, de celebrar os mestres do passado como Liceu Vieira Dias, Fontinhas, Belita Palma, Elias Dia Kimezo e Artur Nunes entre outros. Ao lançar um olhar mais apurado pelo encarte – belíssimo – você ire encontrar Caetano Veloso, Nei Lopes, Wilson Moreira e Djavan na bela “Rapsódia Brasileira Maria das Mercedes”. Nada é por acaso no disco. Os instrumentos e as vozes estão em perfeita comunhão e o sabor do que mais tradicional e belo do continente africano, com muitas falas em português misturadas com sua língua, e se unem ao moderno também em harmonia e espiritualidade. Um belo disco.
1968, Beatles, Álbum Branco…Revolução. Ainda Agosto 19, 2008
Posted by Fernando Rozano in Música.Tags: 1968, Índia, Beatles, rock
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1968 o ano que não terminou foi, ou melhor, ainda é título de livro. Da lavra do jornalista Zuenir Ventura. Magnífico registro daquele anos, e anos sessenta, nas cores verde-amarelas do Brasil. Não poderia ser diferente. Emblemático, visceral, 68 jamais deixará de existir. Em todos os sentidos, até mesmo para contrapô-lo à modernidade. E é exatamente naqueles anos que a vida começou a acontecer em todas as áreas da expressão artística, social, política, econômica, cultural. Muito vindo de pouco antes, germinando no ventre da inquietação, da rebeldia, da criatividade. A História narra até os dias de hoje o centro sísmico daqueles tempos. Na música, a lista impressiona. Porém, das grandes surpresas por certo foram os quatro de Liverpool. Há muito já haviam desestruturado convenções com seu rock oscilante entre o adolescente e o mais irreverente, regado à muita densidade e carisma, eles demonstraram que não eram uma banda de mídia. Àlbuns anteriores como Revolver (1966) e Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band (1967) já haviam se tornado marcos conceituais dentro do universo pop. Porém, com o The Beatles (1968), mais conhecido como o Álbum Branco, que as características individuais de John, Paul e George, principalmente, vieram à tona. Começaram por gravar um disco duplo tamanha era a quantidade de extraordinárias canções estavam prontas em seu repertório. Ainda que tenha sido uma pretensão, o tempo provou: é o disco mais vendido deles. Gerado durante e após a viagem à Índia com Maharishi Mahesh Yogi, a franciscana passagem pela terra do espiritualismo, foi tornando visível a essência de cada compositor. Por vezes, apenas o violão à mão, as canções nasceram assim, despossuídas de requintes instrumentais e por isso o grande valor dos seus arranjos posteriores, já em estúdio. Embora as assinaturas oficiais constem Lennon&McCartney, há a clara e manifesta presença individual em cada composição. O que é de Lennon é Lennon, e assim com Paul também. Na Ìndia emergiu, definitivamente, Harrison. Em fase criativa, é dele a música que mais impacto causou e quem sabe ainda cause a quem escuta o álbum: “While my guitar gently weeps” com uma participação especialíssima de Eric Clapton na guitarra solo. Mais tarde, George iria compor “Something”, “Here comes the sun”, por exemplo. Período fértil para o mais jovem beatle, logo após a separação, gravou o antológico All Things Must Pass (1970). Mas, esta é outra história. A verdade é que o Álbum Branco tem a gênese dos que outros fariam, como o Pink Floyd, Led Zeppelin, e toda a espécie de experimentalismo que viria a seguir. Beatles, simplesmente e ponto final. E, claro, não poderia deixar de ser, 1968. 40 anos depois, atual e revolucionário. Ainda.
Fernando Rozano
Two men with the Blues Agosto 14, 2008
Posted by Fernando Rozano in Música.Tags: alma, blues, country, jazz
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Harmonias sempre encontram cúmplices. Pouco importa suas origens. Em algum momento, ou em todos, elas se cruzam. O que tem a ver o jazz com o country é uma pergunta que muitos podem estar fazendo ao entrarem em uma loja de discos e olhar a capa reproduzida ali acima. Pois, Wynton Marsalis e Willie Nelson decidiram juntar seu violão e trumpete, reuniram um grupo de instrumentistas daqueles que chamamos de primeiro time e tocaram juntos. O cenário novaiorquino foi perfeito. A The Allen Roon da Home of Jazz at Lincoln Center, o palco. Os dias 12 e 13 de janeiro de 2007, as datas escolhidas. Para quem imagina que as dez faixas de Two men with the Blues é uma variada alternância de estilos e gêneros, ou seja, uma faixa é jazz, a outra o mais puro country está muito enganado. Os dois Ws freqüentam - a apresentação foi passado, o disco é presente - repertório de standards como “Stardust” e “Georgia on my mind” em arranjo genuínos, próprios de quem vive e transpira alma. E assim, as canções vão se transformando no mais legítimo e refinado blues. Soma-se composições de Jimmy Reed, Spencer Williams, Grainger Porter, de Nelson e estão todos os elementos do que melhor se faz com a sensibilidade. Imperdível. Melhor, eles estão tramando outro encontro. Será em fevereiro de 2009 no Rose Theater. Nós, agradecemos.
Fernando Rozano







